1 de fev. de 2008

Em alguma outra vida, a gente deve ter feito alguma coisa muito errada…
sério.

Porque não faz sentido sentir tanta saudade assim.

Tipo… tem várias coisas que doem, né?
Trancar o dedo na porta dói.
Cair de queixo no chão dói.
Torcer o tornozelo dói.
Levar um tapa, um soco… dói também.
Bater a cabeça na quina da mesa então… nem se fala.
Morder a língua, cólica, cárie… tudo isso dói.

Mas nada… nada mesmo… dói igual saudade.

É uma dor meio estranha.
Porque não é um machucado que dá pra mostrar.
Não tem onde apertar pra parar.

É saudade de um monte de coisa.
De gente que tá longe.
De lugares que nem existem mais do mesmo jeito.
De momentos que passaram e não voltam.

Saudade até de quem a gente já foi um dia.

Mas a pior de todas…
é a saudade de quem a gente ama.

Saudade do toque, do cheiro, dos beijos…
de estar perto… ou até de saber que a pessoa só tava ali, mesmo sem estar junto.

Tipo… antes era tão simples.
Você tava no seu canto, a pessoa no dela…
mas você sabia que ela tava ali.

Agora não.

Agora é um monte de “não sei”.

Não sei se ainda gosta das mesmas coisas.
Não sei se ainda usa aquela roupa.
Não sei se tá bem.
Não sei se come direito.
Não sei se mudou.
Não sei se lembra.
Não sei se ainda sente alguma coisa.

E isso bagunça tudo.

Porque saudade é isso, né?
é não saber.

Não saber o que fazer com o tempo.
Com os dias que parecem mais longos.
Com as músicas que começam do nada e doem.
Com o silêncio que fica pesado.

É querer saber da pessoa…
e ao mesmo tempo ter medo de descobrir.

É confuso.
Muito confuso.

E eu acho que é por isso que dói tanto.

Porque não tem resposta.
Não tem controle.
Não tem como voltar.

Só fica.

Essa saudade que não passa,
não explica,
não avisa…

só fica.